O mercado de trabalho potiguar registrou um saldo positivo de 109 empregos formais em maio, revertendo o resultado negativo de abril. Setores diretamente ligados ao cotidiano da população, como Saúde, supermercados, educação, logística, farmácias e comércio de veículos, foram os principais responsáveis por esse desempenho, compensando as perdas observadas na agropecuária e na construção civil. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), analisados pelo Instituto Fecomércio RN (IFC) e divulgados na última terça-feira (30).

Apesar da recuperação em relação ao mês anterior, o número de vagas criadas em maio deste ano ficou abaixo das 2.159 registradas no mesmo período de 2023. Juntos, os setores de Comércio e Serviços foram responsáveis pela abertura de 556 novos postos de trabalho, um número que representa mais de cinco vezes o saldo total do estado.

Para a Fecomércio RN, o resultado de maio reflete um mercado de trabalho com comportamentos distintos entre os segmentos econômicos. Enquanto atividades mais suscetíveis à sazonalidade e às oscilações da agroindústria enfrentaram retração, os setores vinculados ao consumo das famílias e à prestação de serviços essenciais demonstraram capacidade de gerar oportunidades.
O setor de Saúde foi o grande destaque do mês, com a criação de 275 vagas. Outros segmentos com desempenho positivo incluem supermercados (+123), comércio de veículos e peças (+98), educação (+61), atividades de armazenamento e logística (+51) e farmácias (+45).

Marcelo Queiroz, presidente do Sistema Fecomércio RN, avalia que “o setor terciário voltou a exercer um papel decisivo para a economia potiguar, demonstrando capacidade de sustentar a atividade e a geração de empregos mesmo em um cenário de desaceleração em outras áreas”.

Em contrapartida, a agropecuária fechou 244 postos de trabalho em maio, e a construção civil registrou um saldo negativo de 229 vagas. As maiores perdas foram no cultivo de melão (-291), em obras de infraestrutura (-104) e na construção de edifícios (-63).
Essas perdas setoriais impactaram o desempenho regional do Rio Grande do Norte, que registrou o segundo menor saldo de empregos do Nordeste em maio, superando apenas Alagoas, outro estado afetado por demissões na agroindústria.

A tendência de predominância das atividades ligadas ao cotidiano das famílias se mantém no acumulado de janeiro a maio. Nesse período, Comércio e Serviços criaram, em conjunto, 5.390 empregos formais, sustentando o saldo positivo de 215 vagas no estado. Destaques incluem Saúde (+909), Educação (+831), comércio atacadista (+362), comércio de veículos e peças (+290) e farmácias (+133). A construção civil também contribuiu positivamente, com 1.560 novos postos. No entanto, as perdas na agropecuária (-5.580) e na indústria (-1.149), especialmente na agroindústria, limitaram um resultado mais expressivo para o mercado de trabalho potiguar neste início de ano.

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